Terça Feira
Logo pela manhã, o frio era grande. Existe uma lenda que o superior-de-dia tem a máquina do tempo e parece verdade. Foi só dar a alvorada às 5 horas que a chuva acabou, deixando todos carangando (sentindo frio) para avançarmos para o café.
O Kid Preto (instrutor-chefe) ficava rindo quando olhava para nós tremendo e encharcados.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
Estágio de Vida na Selva e Técnicas Especiais - 2
E o aprestamento tinha de começar, mas como já sabíamos do primeiro turno, não seríamos aceitos na primeira ida ao local. Eles falaram que subiram cinco vezes para poderem, enfim, serem apresentados.
Conosco não foi muito diferente. Subimos 1, 2, 3, 4, e na quinta tentativa eles aceitaram a apresentação.
O 100 foi lá, apresentou e a cada apresentação um tipo de "exercício": canguru, polichinelo, flexão. Isso ficava a critério do oficial.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Estágio de Vida na Selva e Técnicas Especiais - 1
No sábado dia 23 de outubro fui recepcionar o primeiro turno da selva e não gostei muito do que vi. Todos os anos falavam que o Estágio seria o mais tranqüilo e, ao mesmo tempo, o mais interessante, pois as técnicas aprendidas são muito fodas.
O que vi foi um bando de pessoas cansadas, mancando e com a aparência de não torarem (dormirem) por uns 20 dias.
O que vi foi um bando de pessoas cansadas, mancando e com a aparência de não torarem (dormirem) por uns 20 dias.
domingo, 7 de novembro de 2010
Estágio de Vida na Selva e Técnicas Especiais
As outras operações costumeiras do Curso Avançado passaram e chegou o momento tão esperado na vida do calouro (cadete do 2º ano da AMAN): o estágio da SIEsp.
Esse ano seria um pouco diferente de quando éramos bixo. A carcaça já estava melhor, o apronto operacional muito melhor montado e todo aquele aparato de mochila e fardo aberto (suspensório) estão melhor moldados ao corpo.
Mas uma coisas nunca muda: o cagaço!
Esse ano seria um pouco diferente de quando éramos bixo. A carcaça já estava melhor, o apronto operacional muito melhor montado e todo aquele aparato de mochila e fardo aberto (suspensório) estão melhor moldados ao corpo.
Mas uma coisas nunca muda: o cagaço!
terça-feira, 15 de junho de 2010
Operação Calouro - DIA 05
Iniciou outro dia e lá estávamos nós zumbizando pela fazenda Boa Esperança. Mas era o último dia e isso elevava o moral de uma maneira de que só nós sabemos. Coisa de outro mundo!
O café da manhã foi bom e seguimos para a formatura às 6 horas. Esperamos o comandante do curso e do corpo de cadetes para as palavras finais da instrução, além da APA (análise pós ação). Tudo transcorria normalmente: destaques hasteando o Pavilhão Nacional, oração do guerreiro de selva e leis da guerra na selva. Tudo normal...
O café da manhã foi bom e seguimos para a formatura às 6 horas. Esperamos o comandante do curso e do corpo de cadetes para as palavras finais da instrução, além da APA (análise pós ação). Tudo transcorria normalmente: destaques hasteando o Pavilhão Nacional, oração do guerreiro de selva e leis da guerra na selva. Tudo normal...
Aqui também:
AMAN,
Avançado,
boa esperança,
campo,
Operação Calouro
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Operação Calouro - Dia 04
05:15H - Alvorada! TFM!
06:00H - Depois do café fomos deslocados pelo comandante da subunidade (que é um cadete) para a região onde teríamos duas oficinas: espaldões e explosivos.
Logo quando chegamos foi realizada uma demonstração da utilização errada dos explosivos e as sua conseqüências para quem os manuseassem daquela maneira. Em um primeiro momento foi colocada uma espoleta dentro de uma laranja, o que demonstrava quando esse explosivo é segurado com a mão fechada. Ao detonar esse dispoitivo, foi demonstrado que nada sobrou. Nem o pó da laranja... depois, foi colocada uma espoleta idêntica apenas encostando na fruta e o resultado foi que, depois da explosão, a laranja havia estourado, mas não desaparecido como no caso anterior.
Aqui também:
AMAN,
Avançado,
boa esperança,
campo,
Operação Calouro
sábado, 5 de junho de 2010
Operação Calouro - Dia 03
05:20 -O dia começou e já sabíamos a nossa missão: patrulhar. Mas antes disso tínhamos o TFM e o café da manhã. O TFM foi bem diferente, poi foi um “cross” no Rio Alambari que nada mais foi do que correr pelo leito, tomando talo toda hora.
06:30 - Depois do cross, fomos para o rápido café (mais rápido do que fast food) e seguimos para a oficina de patrulha e vimos como seria o dia: corrido pra caramba.
Aqui também:
AMAN,
Avançado,
boa esperança,
campo,
Operação Calouro
terça-feira, 1 de junho de 2010
Operação Calouro - DIA 02
Alguém consegue dormir saindo de uma oficina às 05:10H e começando o dia às 05:30??
Se tiverem a fórmula para isso, por favor, avisem-me que eu tenho real interessem já que a tora (dormir) é sagrada. Noite virada é assim mesmo, no outro dia o corpo cobra, mas azar...
05:45H -- Café da manhã. Até que foi bem felpudo, até uma salsicha tinha para imitar um cachorro quente. Pra falar a verdade, o café foi felpudo pra caramba: suco de guaraná, fruta, pão com salsicha, mortadela, pãozinho PQD (broa de milho). Empanturrei o bucho!!
domingo, 30 de maio de 2010
Operação Calouro - DIA 01
05:00H - O primeiro dia começou como sempre: frio, dor no corpo e TFM com armamento pela manhã. Alongamento, aquecimento e uma corrida leve para esquentar o corpo e tirar um pouco a dor que fica quando os músculos esfriam.
Houve o café da manhã bem rápido e fomos divididos em pelotões de dois grupos, para o meu grupo a primeira oficina seria de comunicações e depois viria a tão indesejada Maneabilidade de Grupo de Combate.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Operação Calouro - DIA ZERO
Os preparativos para a Operação Calouro começaram há um bom tempo, mesmo ela ocorrendo somente na semana de instrução 12. Os kits (materiais obrigatórios) e a impermeabilização dos materiais já ocorria fazia tempo, visando não gastar o final de semana com essas tarefas chatas. As idas à MALZAC, loja de R$1,99 que safa os cadetes, já tinham voltado à rotina, algo que não fazia desde a FIT.
sábado, 17 de abril de 2010
As patrulhas começaram!
O ritmo está tão louco que nem para atualizar o blog e contar as novidades dá tempo. Ou é o serviço que está girando muito rápido ou a correria do papiro (estudo) para as provas que não me deixa pensar um pouco sobre outras coisas. Não é brincadeira..
domingo, 20 de dezembro de 2009
FIT!! FIBRA!! INICIATIVA!! TENACIDADE [Parte 2]!!
Continuação da postagem sobre a FIT
A orientação era fundamental, pois muitos dos terrenos não conhecíamos e tínhamos apenas a Carta Resende para consulta. O homem-carta (responsável por orientar-se com a carta) deveria ser muito bom.
E cada oficina foi mais ou menos assim:
*HPPS: (Socorro básico e primeiros socorros): foi a mais pau de todas até hoje. Pra começar era em um lugar que ninguém conhecia, depois da Vargem Grande. A gente nem sabia que lá era campo de instrução da Academia.
A oficina consistia em progredir no terreno de modo que houvesse o resgate de um PQD (paraquedista) para uma cota, a fim de um helicóptero resgatá-lo e deviam ser evitadas outras baixas, mas existiam armadilhas, uma era mina (feito com um dispositivo de alarme) que, quando alguém pisava, morria. Pronto, começava a levar o morto na lomba (na carcaça).
Outra armadilhas era no paraquedista que estava morto, quando alguém tentava encostar nele, disparava outra mina e, mais um morria. E assim foram morrendo várias pessoas. Dos 12 combatentes, 5 morreram.
Se deu bem que morreu, já que não carrega peso e os outros tinham que, além de levar os mortos, levar todo equipamento: mochila, rádio (a 110), fuzis.
Quando começamos a subir uma cota, pensávamos que já havia acabado, mas depois nem acreditamos. Tinha que descer a cota, que já era alta, e subir outra mais alta ainda com o peso todo.
Resumindo: PAU!!
Mensageiro: foi até tranqüila, mas muito bem feita. Deveria ocorrer a progressão para passar a mesagem ao destino e no meio existiam vários talos (lama, água) e cota pra subir.
Sendo que tinha outra armadilha: caixotes de areia (só pra pesar) simulando caixas de documentos que, quando retirada do local, explodiam com dispositivos de minas. Morria gente e tinha que subir a cota levante a mensagen, as caixas e os mortos.
A pista foi realizada na Cancela Vermelha.
Esclarecedor: não sei qual foi pior, se foi essa já que não sabíamos se era pseudo-esclarecedor ou pseudo-hpps.
Vou resumir bem rápido a pista: morre gente, anda, morre gente, anda, morre gente. Sobe a cota correndo, sobe de novo, sobe mais uma vez, sobe de novo, foi ruim, sobe de novo, não foi em linha, sobe de novo. Pronto! Todo mundo no bagaço!
Foi nos Campos de Membeca.
Utilização do terreno para progredir e atirar: PAAAAU!!
Já começava com a famosa "brincadeira" dos tiros de artilharia. É bem fácil de aprender: quando se ouvi e simbilar de granda (o famoso apito) deve saltar ao chão e, depois do estilhaçamento da munição, o combatente tem de correr o mais rápido possível para progredir. Mas, imagine ter de ficar se jogando no chão e levantando direto, já que a "artilharia inimiga" estava insana?
Depois, rastejo por um bom espaço, sendo que toda a oficina era com tudão (tudão = mochila, fuzil, capacete, fardo aberto) e rastejar com mochila é cansativo pra caramba.
E a oficina foi seguindo, tendo transposição de cerca (arame farpado), mais rastejo, lanços ("corrida em zigue-zague") e assalto de cota (subir morro). Cansa, meu amigo, cansa muito!!
Local da oficina? Morro do Carrapicho.
Transposição de curso d'água: transpor um curso d'água é passar um rio, lago ou qualquer outro local com água.
A técninca utilizada foi da pelota que consiste em colocar todo o material dentro dos ponchos e atravessar o curso d'água, que no caso era um lago.
Foi tranquüilo, só ficaram enchendo o saco pra fazer rápido, mas isso é normal.
A oficina foi entre as elevações de Sabóia e Saboião, perto da Boa Esperança.
Pista de cordas: consistia em tentar ficar em pé. Isso mesmo! Tinha chovido muito no dia anterior e só ficou a lama. Nada mais era do que progredir subindo e descendo partes das cotas utilizando leppar e rappel e, no final, havia a construção de um tracionamento de cordas para o comando craw.
O mais importante de toda a pista era saber realizar o tracionamento da corda, já que um membro teria de passar para o outro lado do lago. A mochila também passaria, mas utilizando mosquetões presos à corda e sendo puxada pelo combatente que já tivesse passado.
Pista Rondon: pra quem não conhece, essa pista consiste em vários obstáculos a serem transpostos no menor tempo possível e assemelham algumas dificuldades que são encontradas no campo de batalha, como muro de assalto, túnel e tiro. A sua maior característica é a sua dificuldade e o cansaço que gera, pois são 1800m de pura ralação.
Normalmente ela é feita com fuzil, capacete, fardo aberto e segurança (assento americano feito com cabo solteiro), mas no campo é feito com tudão.
Foi uma das oficinas mais jogadas, mas não pelos instrutores e sim pelo terreno e pelas dificuldades. Todo mundo que eu conversei depois reclamou dessa porcaria.
Rappel: Foi bem técnico, pois tinha que desescalar com tudão, o que dificulta bastante e o lugar estava com bastante barro, toda hora alguém derrapava.
Foi lá na Boa Esperança, em um barranco que desembocava no Rio Alambari.
Depois de fazer todas as oficinas, o último ponto era o do Curso Básico e ocorria o retorno, com a apresentaçao do destacamento ao comandante de companhia para efetuar as medidas finais: manutenção do equipamento, corpo e fuzil.
Fomos liberados e dormimos na ala, bom pra caramba!! Mas, antes disso, tivemos que passar na Lanchonete pra felpar um pouco com o famoso açaí!
A orientação era fundamental, pois muitos dos terrenos não conhecíamos e tínhamos apenas a Carta Resende para consulta. O homem-carta (responsável por orientar-se com a carta) deveria ser muito bom.
E cada oficina foi mais ou menos assim:
*HPPS: (Socorro básico e primeiros socorros): foi a mais pau de todas até hoje. Pra começar era em um lugar que ninguém conhecia, depois da Vargem Grande. A gente nem sabia que lá era campo de instrução da Academia.
A oficina consistia em progredir no terreno de modo que houvesse o resgate de um PQD (paraquedista) para uma cota, a fim de um helicóptero resgatá-lo e deviam ser evitadas outras baixas, mas existiam armadilhas, uma era mina (feito com um dispositivo de alarme) que, quando alguém pisava, morria. Pronto, começava a levar o morto na lomba (na carcaça).
Outra armadilhas era no paraquedista que estava morto, quando alguém tentava encostar nele, disparava outra mina e, mais um morria. E assim foram morrendo várias pessoas. Dos 12 combatentes, 5 morreram.
Se deu bem que morreu, já que não carrega peso e os outros tinham que, além de levar os mortos, levar todo equipamento: mochila, rádio (a 110), fuzis.
Quando começamos a subir uma cota, pensávamos que já havia acabado, mas depois nem acreditamos. Tinha que descer a cota, que já era alta, e subir outra mais alta ainda com o peso todo.
Resumindo: PAU!!
Mensageiro: foi até tranqüila, mas muito bem feita. Deveria ocorrer a progressão para passar a mesagem ao destino e no meio existiam vários talos (lama, água) e cota pra subir.
Sendo que tinha outra armadilha: caixotes de areia (só pra pesar) simulando caixas de documentos que, quando retirada do local, explodiam com dispositivos de minas. Morria gente e tinha que subir a cota levante a mensagen, as caixas e os mortos.
A pista foi realizada na Cancela Vermelha.
Esclarecedor: não sei qual foi pior, se foi essa já que não sabíamos se era pseudo-esclarecedor ou pseudo-hpps.
Vou resumir bem rápido a pista: morre gente, anda, morre gente, anda, morre gente. Sobe a cota correndo, sobe de novo, sobe mais uma vez, sobe de novo, foi ruim, sobe de novo, não foi em linha, sobe de novo. Pronto! Todo mundo no bagaço!
Foi nos Campos de Membeca.
Utilização do terreno para progredir e atirar: PAAAAU!!
Já começava com a famosa "brincadeira" dos tiros de artilharia. É bem fácil de aprender: quando se ouvi e simbilar de granda (o famoso apito) deve saltar ao chão e, depois do estilhaçamento da munição, o combatente tem de correr o mais rápido possível para progredir. Mas, imagine ter de ficar se jogando no chão e levantando direto, já que a "artilharia inimiga" estava insana?
Depois, rastejo por um bom espaço, sendo que toda a oficina era com tudão (tudão = mochila, fuzil, capacete, fardo aberto) e rastejar com mochila é cansativo pra caramba.
E a oficina foi seguindo, tendo transposição de cerca (arame farpado), mais rastejo, lanços ("corrida em zigue-zague") e assalto de cota (subir morro). Cansa, meu amigo, cansa muito!!
Local da oficina? Morro do Carrapicho.
Transposição de curso d'água: transpor um curso d'água é passar um rio, lago ou qualquer outro local com água.
A técninca utilizada foi da pelota que consiste em colocar todo o material dentro dos ponchos e atravessar o curso d'água, que no caso era um lago.
Foi tranquüilo, só ficaram enchendo o saco pra fazer rápido, mas isso é normal.
A oficina foi entre as elevações de Sabóia e Saboião, perto da Boa Esperança.
Pista de cordas: consistia em tentar ficar em pé. Isso mesmo! Tinha chovido muito no dia anterior e só ficou a lama. Nada mais era do que progredir subindo e descendo partes das cotas utilizando leppar e rappel e, no final, havia a construção de um tracionamento de cordas para o comando craw.
O mais importante de toda a pista era saber realizar o tracionamento da corda, já que um membro teria de passar para o outro lado do lago. A mochila também passaria, mas utilizando mosquetões presos à corda e sendo puxada pelo combatente que já tivesse passado.
Vídeo de um comando craw feito por bombeiro
Pista Rondon: pra quem não conhece, essa pista consiste em vários obstáculos a serem transpostos no menor tempo possível e assemelham algumas dificuldades que são encontradas no campo de batalha, como muro de assalto, túnel e tiro. A sua maior característica é a sua dificuldade e o cansaço que gera, pois são 1800m de pura ralação.
Normalmente ela é feita com fuzil, capacete, fardo aberto e segurança (assento americano feito com cabo solteiro), mas no campo é feito com tudão.
Foi uma das oficinas mais jogadas, mas não pelos instrutores e sim pelo terreno e pelas dificuldades. Todo mundo que eu conversei depois reclamou dessa porcaria.
Pista Rondon realizada pelo CPOR-SP em Resende. Mas, sem estar com tudão.
Tiro: O tiro foi tranqüilo. Ele aconteceu lá no estande e o objetivo era alvejar o máximo de inimigos que eram os alvos. Antes, havia um montagem dos armamentos que já foram dadas as instruções, tais como: metralhadora de mão Beretta, pistola Imbel 9mm, pistola Beretta 9mm, FAL.Rappel: Foi bem técnico, pois tinha que desescalar com tudão, o que dificulta bastante e o lugar estava com bastante barro, toda hora alguém derrapava.
Foi lá na Boa Esperança, em um barranco que desembocava no Rio Alambari.
Depois de fazer todas as oficinas, o último ponto era o do Curso Básico e ocorria o retorno, com a apresentaçao do destacamento ao comandante de companhia para efetuar as medidas finais: manutenção do equipamento, corpo e fuzil.
Fomos liberados e dormimos na ala, bom pra caramba!! Mas, antes disso, tivemos que passar na Lanchonete pra felpar um pouco com o famoso açaí!
domingo, 22 de novembro de 2009
Henrique Lage
Depois do espadim, ainda restavam dois campos: Henrique Lage e Fit.
Os calouros viviam falando que a Henrique Lage seria, na verdade, Henrique Light, bem tranqüilo e como se fosse um campo de calouros, sem babaquice tipo do básico de ficar sentando e levantando, subindo cota e indo pro talo (indo se molhar todo). Mas os afins falavam que foi o pior campo, já que os nerds do IME falaram no campo anterior ao deles que tinha sido "moleza", então no outro ano foi nada "moleza".
O campo, pra variar, começou com o aprestamento individual na segunda-feira lá no parque do básico. Depois, rolou o almoço e todos esperavam o comandante do curso para as palavras inciais. Tudo igual aos primeiros campos.
Depois, todos entraram em coluna de marcha e seguimos para a famosa Boa Esperança, que de boa tem nada, numa marcha de 8km por dentro do campo de instrução da academia. As diferenças dos calouros começaram aí, pois a Henrique Lage deles foi mais perto da ala (onde dormimos) perto da PCL (Pista de Combate Localizado).
Odeio fazer marcha, é um saco, mas até foi bem tranqüila, uma vez que choveu de leve e deixou o clima de Hellsende (a cidade dos infernos) mais ameno e nem senti a marcha.
Ao chegarmos, foi dada a ordem de se montar os ponchos barraca em dupla, já que não haveria barracas de praças, como é de costume. Pra montar é bem anti-burro, é só colocar um poncho no outro e colocar as estacas.
Terminada a montagem começaram as oficinas e os tenentes avisaram que seria dado mais ênfase à orientação. A primeira oficina foi a orientação noturna azimute-distância que eu achei uma porcaria, pois ninguém conseguia achar os pontos.
Lá pela 1 da manhã acabou a oficina e fomos torar (dormir) e que tora!! Passei a noite no poncho, muito felpudo (confortável) e foi uma das minhas melhores noites na Boa Esperança: poncho seco + saco de dormir + isolante + felpa (comida extra que poderia levar). Quer mais?
Os dias foram passando e muitas instruções com orientação, até chegar a famosa "Volta ao mundo" que é uma orientação carta-terreno gigante, alguns falaram que chegava a ter 15km para andar, equipado com mochila, capacete, fuzil e tudo que tem direito. Começava de manhã cedo e só terminava de noite, então dá pra ter a noção da brincadeira.
Achei muito interessante a orientação, mas PQP, andei muito, muito e muito. Dei sorte que eu e meu canga (dupla) sabíamos muito sobre orientação e não nos perdemos e só erramos um ponto. Fomos rápido, já que aqueles que chegassem antes do tempo previsto, seriam liberados para a tora ou o que quisesse. Mas, como erramos um ponto tivemos que voltar para achá-lo.
Nos outros dias as melhores oficinas foram: tiro de metralhadora de mão Beretta 9mm e lançamento de granada de bocal.
Lançamento de Granada de Bocal:
E a pior, sem sombra de dúvidas: progressão diurna, tendo que subir uma cota gigante, depois de ter feito toda a pista.
No mais, o campo foi tranqüilo e com muito pouca babaquice, diferente dos campos do básico e as oificinas exigiam bom preparo intelectual.
Aqui também:
boa esperança,
campo,
fuzil,
granada de bocal,
tiro
sábado, 15 de agosto de 2009
MONTANHA (Dia 01)
E o primeiro dia de estágio começa.
Todos deixam os sacos V.O nas barracas próximas à Base do Marcão. A gritaria é geral, instrutores e monitores tentam apressar os estagiários (na SIEsp não há cadetes) para que entrem em forma depois de guardar os sacos.
Todos os pelopes (pelotão da SIEsp) entram em forma e o deslocamento para a outra base se incia. Todo mundo se pergunta se serão mais 8 km ou se ainda andaremos muito, mas depois de uma hora descendo e subindo encontramos uma área com viaturas e acampamento montado.
Todos entram em forma à frente de uma cota (morro) com bastante vegetação e no topo um mastro. O instrutor escala dois guerreiros e dá-se início ao hasteamento do Pavilhão Nacional.
Depois disso, o instrutor-chefe apresenta alguns outros intrutores e mostra as divisões que seriam feitas: todo o turno seria divido em três para começarem as instruções Alpha, Bravo e Charlie, sendo todas pistas escolas, o que não contava para o brevê, mas já valiam os F.O negativos (observações negativas) e positivas.
Não lembro a ordem correta de cada oficina, mas era algo como: rapel de frente, rapel de costas, nós, fenda vertical.
Nesse dia o que eu mais lembro eram os "aquecimentos": ficar saltitando, pagando flexão e essas coisas.
Nesse dia só teve isso, de manhã até de tarde, mas sem as pausas para refeição, uma vez que o almoço era o farofão (farofa com carne, amendoim, amêndoas, rapadura).
De noite, todos voltaram para as barracas e, pensando que iríamos torar, vimos todos os sacos v.o para fora da barraca (é bizu impermeabilizar tudo que vai no saco) e os monitores esperando. À noite foi dada instrução de nós e amarrações, falando como seriam cobrados os nós no dia da prova.
Depois, fomos liberados para torar.
O que mais impressionava nesse dia foi o frio e a sede. Não é bizu tomar toda a água do cantil durante a marcha, pois o dia TODO nao dão mais água. Guarde o máximo que der durante a marcha e beba-a depois, sempre na técnica das tampinas (encha a tampinha do cantial com água e beba, no máximo, umas 3) assim a sede acaba e não se bebe muita água.
Liberados, a maioria aproveitou para fazer a barba e torar (dormir) já esperando o segundo dia.
Para a frente e para o alto!!
Todos deixam os sacos V.O nas barracas próximas à Base do Marcão. A gritaria é geral, instrutores e monitores tentam apressar os estagiários (na SIEsp não há cadetes) para que entrem em forma depois de guardar os sacos.
Todos os pelopes (pelotão da SIEsp) entram em forma e o deslocamento para a outra base se incia. Todo mundo se pergunta se serão mais 8 km ou se ainda andaremos muito, mas depois de uma hora descendo e subindo encontramos uma área com viaturas e acampamento montado.
Todos entram em forma à frente de uma cota (morro) com bastante vegetação e no topo um mastro. O instrutor escala dois guerreiros e dá-se início ao hasteamento do Pavilhão Nacional.
Depois disso, o instrutor-chefe apresenta alguns outros intrutores e mostra as divisões que seriam feitas: todo o turno seria divido em três para começarem as instruções Alpha, Bravo e Charlie, sendo todas pistas escolas, o que não contava para o brevê, mas já valiam os F.O negativos (observações negativas) e positivas.
Não lembro a ordem correta de cada oficina, mas era algo como: rapel de frente, rapel de costas, nós, fenda vertical.
Nesse dia o que eu mais lembro eram os "aquecimentos": ficar saltitando, pagando flexão e essas coisas.
Nesse dia só teve isso, de manhã até de tarde, mas sem as pausas para refeição, uma vez que o almoço era o farofão (farofa com carne, amendoim, amêndoas, rapadura).
De noite, todos voltaram para as barracas e, pensando que iríamos torar, vimos todos os sacos v.o para fora da barraca (é bizu impermeabilizar tudo que vai no saco) e os monitores esperando. À noite foi dada instrução de nós e amarrações, falando como seriam cobrados os nós no dia da prova.
Depois, fomos liberados para torar.
O que mais impressionava nesse dia foi o frio e a sede. Não é bizu tomar toda a água do cantil durante a marcha, pois o dia TODO nao dão mais água. Guarde o máximo que der durante a marcha e beba-a depois, sempre na técnica das tampinas (encha a tampinha do cantial com água e beba, no máximo, umas 3) assim a sede acaba e não se bebe muita água.
Liberados, a maioria aproveitou para fazer a barba e torar (dormir) já esperando o segundo dia.
Para a frente e para o alto!!
quarta-feira, 29 de julho de 2009
DQBN
As letras até são fáceis de falar, traduziram pra gente como "Defesa Química Biológica e Nuclear", ou seja, falaram sobre a utilização desses agentes na guerra. Os vídeos que eles passaram e as fotos assustam, é cada pessoa desfigurada que é foda...Todo mundo fica imaginando como deve ser na guerra, em uma trincheira ou no campo de batalha sendo submetido aos efeitos dessas armas. Alguns mísseis lançam gases que fazem a pessoa vomitar, não respirar, queimar a pele e por aí seguem as "brincadeiras".
Quem deu a instrução foram os militares da ESIE (Escola de Instrução Especializada), que são feras no assunto e são verdadeiros estudiosos. Estudiosos mesmo, é um curso reconhecido pelo MEC e único na América latina. É interessante saber, também, que todo militar, independente da arma, quadro ou serviço, pode fazer o curso de DQBN.
O que achei meio chato é ficar preso no Rio de Janeiro. Eles falaram que não fica preso lá na cidade (preso no sentido de não se transferir), mas imagina: há pouquíssimos militares peritos em DQBN, o quartel é no RJ, você é especialista. Será que você irá pro norte, nordeste ou qualquer outro lugar? Difícil hem...
Na palestras, que duraram a manhã toda, foi a parte teórica. Depois, reservaram um "presente" para os cadetes: câmara de gás! Calma, calma... Ninguém vai morrer, não é uma câmara de gás no estilo alemão. É uma câmara que as pessoas verificam se a máscara funciona e sente os efeitos do gás lacrimogênio.
Ocorreu o almoço e fomos deslocados para o Campo de Pouso - local dentro da AMAN - andando (coisa rara no Basicão) para não suar, uma vez que o gás lacrimogênio, em contato com a água, gera ácidos que queimam a pele.
Ao chegarmos, dava para ver uma barraca meio distante e, do nada, um pessoal saiu lá de dentro tossindo, gritando iguais a loucos. Pensei que era sacanagem dos instrutores, para colocar medo em todo mundo. Se era sacanagem ou não, o efeito deu certo! Geral ficou com cagaço!!
Foi apresentada a equipe e começou a instrução de como utilizar a máscara Shalom, modelo israelense, e sobre o filtro de ar que ela possui. Nada demais, mas avisaram que era bom treinar utilizá-la antes de ir para a câmara...
Avisaram que a instrução teórica tinha acabado e tudo ia começar. Colocaram grupamentos em forma e o Capitão (instrutor chefe) mostrou a "maça do amor" que era a tal granada de gás CS (lacrimogênio).
Tirou o pino e jogou a "brincadeira" dentro da barraca. Esperou um tempo e mandou todo mundo colocar a máscara. Ajeitei da melhor maneira que dava... mas o cagaço ficava ainda junto comigo. Porra, se essa merda tá estragada, e aí, como eu fico?
Tranqüilo, dei a sorte e fui primeiro (que sorte de merda!!) e fui logo pro fundo da barraca. Até que tava tranqüilo, tava sentindo nada! Normal!! Mas, o meu canga começou a tossir desesperado!! Aí, o Capitão não deu mole: viu o sanhaço dele e já ficou enrolando, falando várias coisas que já tinha falado e do nada, a brincadeira começa!! -
Ordem, retirar a máscara!!
PQP!! Passou o filme do pessoal correndo desesperado passou na minha cabeça, mas fazer o que... ordem é ordem!
Tirei a máscara, respirei normalmente...
PUTA QUE PARIU!!!! Tinham jogado uma pimenta malagueta na minha garganta? Tacaram ácido na testa? E a vontade de espirrar?
É, era real mesmo! Os sintomas que tinham falado na instrução eram verdadeiros. Caralho, que porcaria de sintomas.
Ele ficou conversando (e a gente no sanhaço) uns 30 minutos!! Cara, pq meus olhos estão todos cheios de lágrima - na hora não associei o "lacrimogênio" com "lágrimas" -, pq minha cabeça tá ardendo?
- Ordem, sair da barraca ordenadamente!
Como que é? Ordenadamente? Tá de sacanagem, só pode!! Saiu todo mundo correndo desesperado com as mãos abertas e tentando abrir os olhos, boca e tudo para poder respirar e parar a dor.
Depois de uns 4 ou 5 minutos os sintomas passaram, mas quem disse que acabou? Tinha a segunda "oficina": entrar sem máscara e colocá-la lá dentro.
Beleza, entrou todo mundo e, rapidamente, colocamos as máscaras. Alguns não colocaram certo e começaram a tossir, mas eu, ainda bem, fiquei na boa.
-Ordem, sair da barraca.
Os 30 minutos que eu falei foi na hora, mas depois o pessoal todo disse que não passava de 6 segundos sem a máscara. É pau!!
Vídeo mostrando os efeitos do gás. No EB não tem isso de bater palminha.
Brasil acima de tudo!
Acabou!!
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Dia zero! [MONTANHA]
Na verdade, tudo começou no dia anterior!
A Cia. iniciou seus preparativos por volta das 20 horas. Todos prontos, colocaram sua mochila na entre-alas (um "corredor" entre duas companhias). Depois disso, as companhias seguiram para o rancho e tiveram uma ceia.
Terminada a ceia e equipados, todos fomos correndo catando canções para a área à frente da prefeitura militar e ficamos na espera da ordem de avançar para o aprestamento. Parece brincadeira, mas acho que passamos umas 5 vezes esse ritual: apito, todo mundo corre, ouve o famoso "tá uma porcaria" e volta. E assim continua.
Na hora que era real, ouvimos os apitos e fomos correndo para a área de cerimonial. Uma névoa alaranjada saía de perto do prédio da SIEsp .
E tudo começou, parecia que tinha começado!
Cada instrutor (oficial) foi apresentado e os monitores (sargentos) também. Era uma apresentação e flexão, outra, polichinelo, outra, canguru - na variação australiano e a noite foi começando.
Foi lida a forma do aprestamento e cada um tinha 10 minutos para arrumar seu aprestamento. Antes de tudo foi avisado: kits fechados era barro, não seriam aceitos. Todos os kits deviam estar sem tampa para verificação do material.
As gaivotas mais perdidas foram: agasalho leve, faca suja/enferrujada, lanterna mal velada. Cada gaivota perdida é um ponto a menos na média final e isso conta muito!!
Depois, mais um pequeno tempo para arrumar tudo na mochila e esperar a outra ordem. Alguns ficaram nervosos e deixavam alguma coisas pra fora. Resultado: todo mundo na flexão esperando...
Acabado cerimonial, correr de novo, mas desta vez para a região entre o parque de infantaria e de artilharia. Tinham uns 30 caminhões (5 Ton), todos identificados. Embarcados, ficamos esperando a viagem começar.
Caminhão andando, frio na cara! Bizu máximo nessa hora é colocar a luva e a touca de lã. Para tentar diminuir o frio - já que o caminhão é aberto e com uma lona por cima da armação - o melhor a fazer é grudar ao lado do companheiro e tentar sentar no meio da 5 Ton, diminuindo o vento.
Do nada, ouço uns gritos e vejo que tinha torado (mesmo estando frio pra caramba), desembarco e fico esperando. Nessa hora, já tava perdido, só lembrava de ter passado ali naquele local uma vez quando viajava, era próximo à parte alta do Parque. Acho que já eram quase 2 da manhã.
Os pelopes (nome dado os pelotões pela SIEsp) foram divididos e começava mais uma prova para o tão sonhado brevê de Montanha: a marcha de 8km em terreno montanhoso em 2 horas.
Pra falar a verdade, pensava que era tranquila, mas tinha cada subidão insano que as pernas começavam a queimar. Anda, pára! Anda, dá uma corrida! Anda mais um pouco.
A falta de ar começava a fazer efeito: dor de cabeça e sede. Mas, tentando seguir o conselhos dos calouros era bom não ficar bebendo muita água, pois seria racionada para o dia todo e isso eram umas 4 da manhã.
Anda, pára, anda, corre, pára, anda.
Acabou!! Cansado pra caramba - 8km com peso e subindo cansa pra cacete!! - chegamos a um tal de "Brejo de alguma coisa", mas a felicidade logo acabou. Havíamos subido os 8km da prova em 1:35h, mas ainda faltavam uns 3km a 5km à frente para chegarmos à Base do Marcão.
Anda, pára, corre, corre, corre, anda.
Lembro que tinha a continuação da estrada, mas os instrutores pegaram uma trilha que era um ladeirão e subiram. Terminada essa subida, vi uma casa de madeira bem ajeitada e consegui ver: Posto do Marcão.
Gritaria de novo e pegamos o saco V.O. Falaram que ainda tinha mais 3 km, mas, porra. com essa merda de saco V.O. ia ser impossível!! Tudo mentira, só pra mexer com o emocional do estagiário; sim, somos chamados de estagiário (e suas variações).
Encontramos, bem próximo ao posto, os abrigos e lá deixamos o saco V.O.
O segundo dia vem em breve!
A Cia. iniciou seus preparativos por volta das 20 horas. Todos prontos, colocaram sua mochila na entre-alas (um "corredor" entre duas companhias). Depois disso, as companhias seguiram para o rancho e tiveram uma ceia.
Terminada a ceia e equipados, todos fomos correndo catando canções para a área à frente da prefeitura militar e ficamos na espera da ordem de avançar para o aprestamento. Parece brincadeira, mas acho que passamos umas 5 vezes esse ritual: apito, todo mundo corre, ouve o famoso "tá uma porcaria" e volta. E assim continua.
Na hora que era real, ouvimos os apitos e fomos correndo para a área de cerimonial. Uma névoa alaranjada saía de perto do prédio da SIEsp .
E tudo começou, parecia que tinha começado!
Cada instrutor (oficial) foi apresentado e os monitores (sargentos) também. Era uma apresentação e flexão, outra, polichinelo, outra, canguru - na variação australiano e a noite foi começando.
Foi lida a forma do aprestamento e cada um tinha 10 minutos para arrumar seu aprestamento. Antes de tudo foi avisado: kits fechados era barro, não seriam aceitos. Todos os kits deviam estar sem tampa para verificação do material.
As gaivotas mais perdidas foram: agasalho leve, faca suja/enferrujada, lanterna mal velada. Cada gaivota perdida é um ponto a menos na média final e isso conta muito!!
Depois, mais um pequeno tempo para arrumar tudo na mochila e esperar a outra ordem. Alguns ficaram nervosos e deixavam alguma coisas pra fora. Resultado: todo mundo na flexão esperando...
Acabado cerimonial, correr de novo, mas desta vez para a região entre o parque de infantaria e de artilharia. Tinham uns 30 caminhões (5 Ton), todos identificados. Embarcados, ficamos esperando a viagem começar.
Caminhão andando, frio na cara! Bizu máximo nessa hora é colocar a luva e a touca de lã. Para tentar diminuir o frio - já que o caminhão é aberto e com uma lona por cima da armação - o melhor a fazer é grudar ao lado do companheiro e tentar sentar no meio da 5 Ton, diminuindo o vento.
Do nada, ouço uns gritos e vejo que tinha torado (mesmo estando frio pra caramba), desembarco e fico esperando. Nessa hora, já tava perdido, só lembrava de ter passado ali naquele local uma vez quando viajava, era próximo à parte alta do Parque. Acho que já eram quase 2 da manhã.
Os pelopes (nome dado os pelotões pela SIEsp) foram divididos e começava mais uma prova para o tão sonhado brevê de Montanha: a marcha de 8km em terreno montanhoso em 2 horas.
Pra falar a verdade, pensava que era tranquila, mas tinha cada subidão insano que as pernas começavam a queimar. Anda, pára! Anda, dá uma corrida! Anda mais um pouco.
A falta de ar começava a fazer efeito: dor de cabeça e sede. Mas, tentando seguir o conselhos dos calouros era bom não ficar bebendo muita água, pois seria racionada para o dia todo e isso eram umas 4 da manhã.
Anda, pára, anda, corre, pára, anda.
Acabou!! Cansado pra caramba - 8km com peso e subindo cansa pra cacete!! - chegamos a um tal de "Brejo de alguma coisa", mas a felicidade logo acabou. Havíamos subido os 8km da prova em 1:35h, mas ainda faltavam uns 3km a 5km à frente para chegarmos à Base do Marcão.
Anda, pára, corre, corre, corre, anda.
Lembro que tinha a continuação da estrada, mas os instrutores pegaram uma trilha que era um ladeirão e subiram. Terminada essa subida, vi uma casa de madeira bem ajeitada e consegui ver: Posto do Marcão.
Gritaria de novo e pegamos o saco V.O. Falaram que ainda tinha mais 3 km, mas, porra. com essa merda de saco V.O. ia ser impossível!! Tudo mentira, só pra mexer com o emocional do estagiário; sim, somos chamados de estagiário (e suas variações).
Encontramos, bem próximo ao posto, os abrigos e lá deixamos o saco V.O.
O segundo dia vem em breve!
sábado, 25 de julho de 2009
Preparativos da Montanha!
Sim, guerreiros, enfim falarei sobre a tão esperada Montanha.
Tudo começou muito antes da nossa apresentação para a SIEsp (Seção de Instrução Especializada), já que os calouros só falavam que a montanha é pau, mas vale a pena. Até aí, tudo bem, nada no Exército constuma ser fácil...
Para começar tudo, há a necessidade de se fazer um apronto operacional com vários kits que nada mais são do que potes de tuppeware (ou San Remo) cheio de tralhas dentro. Parece fácil, mas montar essas tranqueiras é difícil pra caramba por vários motivos: tempo, preço, produtos, dificuldade de encontrar.
Explicando uma a um:
1) Tempo: Aqui na AMAN o que o Cadete menos tem é tempo. Sempre há missões ("tarefas") para se fazer. Passar a roupa para o dia seguinte, engraxar o coturno, subir em algum curso para fazer favores, papirar e tudo mais que você possa pensar.
2) Preço: Existem remédios que passam de R$30 e são obrigatórios, além de escalímetro (R$14), bússola (R$60) e por aí vai. Já dá pra perceber que o soldo ("salário) é suficiente, mas deve ser muito bem pesquisado.
3) Produtos: Cara, será que vai dar tempo de ter tudo que eles querem? Na maioria das vezes dá, mas tem que começar a fazer o apronto muito antes da Montanha.
4) Dificuldade de encontrar: Alguns produtos são bem difíceis de serem encontrados e como todos sabem Hellsende - isso mesmo, a cidade do inferno - é minúscula e tem que sair igual a um louco atrás do material. Um jeito de suprir esse problema é perguntar aos outros cadetes onde acharam o que você tanto procura.
Aprestamento feito, tudo ok, né? Nada disso! A SIEsp elabora uma cartilha com todos os ítens que serão cobrados e até como será a formatura de início. Para ver a chatisse, tem que deixar os materiais na apresentação ao instrutor de determinado jeito e, se assim não fizer, nada é avaliado.
Só pra explicar o que é o Apronto Operacional:
Hoje eu estou meio sem saco, é sem saco mesmo. Mais tarde eu fico com paciência e coloco a relação de tudo que é cobrado nos kits.
Para frente e para o alto!
Tudo começou muito antes da nossa apresentação para a SIEsp (Seção de Instrução Especializada), já que os calouros só falavam que a montanha é pau, mas vale a pena. Até aí, tudo bem, nada no Exército constuma ser fácil...
Para começar tudo, há a necessidade de se fazer um apronto operacional com vários kits que nada mais são do que potes de tuppeware (ou San Remo) cheio de tralhas dentro. Parece fácil, mas montar essas tranqueiras é difícil pra caramba por vários motivos: tempo, preço, produtos, dificuldade de encontrar.
Explicando uma a um:
1) Tempo: Aqui na AMAN o que o Cadete menos tem é tempo. Sempre há missões ("tarefas") para se fazer. Passar a roupa para o dia seguinte, engraxar o coturno, subir em algum curso para fazer favores, papirar e tudo mais que você possa pensar.
2) Preço: Existem remédios que passam de R$30 e são obrigatórios, além de escalímetro (R$14), bússola (R$60) e por aí vai. Já dá pra perceber que o soldo ("salário) é suficiente, mas deve ser muito bem pesquisado.
3) Produtos: Cara, será que vai dar tempo de ter tudo que eles querem? Na maioria das vezes dá, mas tem que começar a fazer o apronto muito antes da Montanha.
4) Dificuldade de encontrar: Alguns produtos são bem difíceis de serem encontrados e como todos sabem Hellsende - isso mesmo, a cidade do inferno - é minúscula e tem que sair igual a um louco atrás do material. Um jeito de suprir esse problema é perguntar aos outros cadetes onde acharam o que você tanto procura.
Aprestamento feito, tudo ok, né? Nada disso! A SIEsp elabora uma cartilha com todos os ítens que serão cobrados e até como será a formatura de início. Para ver a chatisse, tem que deixar os materiais na apresentação ao instrutor de determinado jeito e, se assim não fizer, nada é avaliado.
Só pra explicar o que é o Apronto Operacional:
"Apronto operacional
Conjunto de providências iniciais de aprestamento do material, viaturas,
equipamentos, colocando a unidade (mesmo na situação normal em quartéis) tão
completamente pronta quanto possível para embarcar ou entrar em ordem de
marcha com rapidez."
Conjunto de providências iniciais de aprestamento do material, viaturas,
equipamentos, colocando a unidade (mesmo na situação normal em quartéis) tão
completamente pronta quanto possível para embarcar ou entrar em ordem de
marcha com rapidez."
Hoje eu estou meio sem saco, é sem saco mesmo. Mais tarde eu fico com paciência e coloco a relação de tudo que é cobrado nos kits.
Para frente e para o alto!
terça-feira, 7 de julho de 2009
Operação ALVORADA

Operação Alvorada!
Pra começar, esse campo diferencia-se dos outros, pois ele é todo feito dentro da área da AMAN e não nas fazendas ou área de instrução. As oficinas são feitas nos parques, Morro do Carrapinho, Seção de Educação Física, Cancela Vermelha, Bastião e represa da cavalaria.
Tudo começou com uma formatura no Parque do Curso Básico. O comandante do Básico falou sobre a importância dos campos e a nossa principal função: ter combatividade nos campos de batalha.
Terminada a "conversa", as oficinas já começavam e a Operação tinha o verdadeiro início.
As companhias foram dividias e cada comandante fez o aprestamento operacional. O aprestamento nada mais é do que retirar tudo da mochila, desmontar o FAL (Fuzil Automático Leve) em primeiro escalão e esperar a revista. Tudo que foi pedido pelo cmt cia tem de estar presente, caso não esteja há perda de pontos.
Depois do aprestamento começaram as oficinas, nome dado às atividades.
Eu não lembro quais eram, mas as que mais me marcaram foram: progressão diurna, comunicações, orientação diurna, orientação noturna, observação do terreno, transposição de curso d'água e marcha de 16km.
#Progressão Diurna (Utilização do terreno para progredir e atirar):
A pista foi pau! O que mais tinha eram os charcos e muita lama, mas bota lama nisso. Pra variar, rastejo e mais rastejo. Outro problema dessa pista era a distância. Pista muito longa e cansativa.#Comunicações
De comunicações nada teve. A oficina tinha como objetivo carregar a bobina pesada pra caramba em 4 pessoas e lançar os fios pelo caminho. O grande problema era um charco gigante que tinha de ser atravessado. Depois, voltar recolhendo os fios.
#Orientação Diurna
Capacetado, mochilado e com Fuzil andar, andar e orientar. Cotas para subir e muito charco para se molhar.
No mais, foi isso!
Depois, falo da Operação Boa Esperança e da SiESP de Montanha.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
E o campo?

Pra quem não entende, o campo consite em uma série de atividades em vários dias, visando o militar à adaptar-se à possível realidade da guerra.
Muitos não sabem o que acontece e acabam falando besteira. Aqui, ninguém foi e nunca será maltratado. Ninguém será obrigado a fazer aquilo que não concorda e, muito menos, será agredido por qualquer pessoa.
O que acontece e muitos não sabem discernir é a colocação de pressão que ocorre pelos intrutores nos instruendos de agressão. Sim, você é exigido quando está cansado, de saco cheio e com várias dores. Mas, alguém acha que na guerra isso é diferente? Ou você acha que lá, haverá uma trégua e o militar tem todo o tempo do mundo para decidir?
Outra coisa: tudo, absolutamente, tudo que for exigido já foi ensinado "n" vezes e lá só será cobrado. Lá, você será relembrado rapidamente de tudo, mas já deve ter papirado (estudado) antes.
Dói? Sim! Dá calo? Sim! Dá Frio? Sim!

Dói, pois na Escola você não anda o dia todo com o fuzil, todo o aparato e a mochila pesada nas costas o dia todo. O músculo se acostuma aos poucos e, nesse momento, tudo dói. Tenho certeza que encontrará alguns músculos que você nem sabia que tinha...
Outra: você sempre terá a máxima segurança. Haverá equipes médicas, pessoas especialistas nas disciplinas e todo o apoio logístico. Nisso, não se preocupe. Preocupe-se em fazer o que é correto que não terá perigos.
No mais, é só essa explicação. Sei que ainda falta muito pra eu saber sobre campo (e bota muito nisso!!), mas essa postagem é só pra tirar alguns mitos falados por aí.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Bivaque - II
Chegando ao 28º Bil, os pelotões deviam entrar em forma para, aos poucos, serem ambientados ao novo mundo. Mas, esse as poucos na vida militar não significam que será algo fácil e carinhoso. Ao contrário, é tudo feito na gritaria, correndo com a mochila e o famoso FAL.
A segunda companhia teve de retirar tudo da mochila de campo e colocar em uma lona (chamada de poncho) para mostrar se tudo estava nos devidos conformes e de acordo com as especificações passadas pelos comandantes de pelotões. Quando o tenente chegava, havia a necessidade de bradar o nome, número e o pelotão. Por exemplo: Aluno 10, Silva!! Covil!! e, prontamente, o cmdt (comandante) bradava o mesmo nome: -Covil!!
As dicas eram dadas a fim de ajudar todos os alunos para, no Exercício de Longa Duração (ELD), não haver problemas na feitura desses kits, pois eles valem nota no futuro, visto que são muito importantes para o combatente. Imagine ficar sem um remédio ou com o fuzil defeituoso no meio de uma guerra? A cobrança, portante, é necessária.
Logo após, os pelotões eram divididos em novos agrupamentos, para ocorrerem as instruções, sendo elas: tiro prático de FAL, montagem de abrigos. Aqueles que foram para a de abrigos viram imagens dos diversos tipos de abrigos, com o objetivo de mostrar aos instruendos qual seria a melhor para ser montada. Quase a totalidade das pessoas decidiram pela "duas águas" - dois ponchos unidos, um fio passando no meio e, um pouco, distante do solo (cerca de 20cm).
Como já é normal, a fabricação do abrigo seria em dupla, visando à união e camaradagem, e valeria como uma prova para a média de Instrução Militar. O tempo médio foi de uma hora e meia. Mas, o maior problema nem era colocar os ponchos corretamente, mas fazer a canaleta. Com pá, faca, e essas ferramentes é facílimo, mas no meio do mato só dispondo de pedaços de madeira e um solo duro pra caramba tudo fica mais difícil.
Já os outros que foram para o tiro tiveram uma rápida instrução para relembrar aquilo que já fora ensinado para relembrar. Os tiros foram: ajoelhado com apoio, ajoelhado sem apoio, em pé, em pé noturno.
A sensação de empunhar um FAL 7.62 e apertar, vagarosamente, o gatilho é muito bom. O "coice" (recuo) da arma no ombro e o cheiro de pólvora no ar valeram os anos de estudo para muitos. Está certo que na hora de ver o alvo batia aquele cagaço, pois quem errava muito e tirava Insuficiente pagava muito sentado 1-2, rolamentos na lama e todas essas "brincadeiras" que nós - e principalmente os intrutores - adoram.
Agora, pense nisso em uma chuva forte, com trovoadas e relâmpados a toda hora. Toda hora não é hipérbole ou outra dessa coisas de português, mas a pura verdade!! Aquela água na cara e o fuzil gelados animavam ainda mais os militares, que viviam correndo bradando canções dos PQDt, FE e esses cursos que são marcas no Brasil e no mundo.
Continua...
A segunda companhia teve de retirar tudo da mochila de campo e colocar em uma lona (chamada de poncho) para mostrar se tudo estava nos devidos conformes e de acordo com as especificações passadas pelos comandantes de pelotões. Quando o tenente chegava, havia a necessidade de bradar o nome, número e o pelotão. Por exemplo: Aluno 10, Silva!! Covil!! e, prontamente, o cmdt (comandante) bradava o mesmo nome: -Covil!!
As dicas eram dadas a fim de ajudar todos os alunos para, no Exercício de Longa Duração (ELD), não haver problemas na feitura desses kits, pois eles valem nota no futuro, visto que são muito importantes para o combatente. Imagine ficar sem um remédio ou com o fuzil defeituoso no meio de uma guerra? A cobrança, portante, é necessária.
Logo após, os pelotões eram divididos em novos agrupamentos, para ocorrerem as instruções, sendo elas: tiro prático de FAL, montagem de abrigos. Aqueles que foram para a de abrigos viram imagens dos diversos tipos de abrigos, com o objetivo de mostrar aos instruendos qual seria a melhor para ser montada. Quase a totalidade das pessoas decidiram pela "duas águas" - dois ponchos unidos, um fio passando no meio e, um pouco, distante do solo (cerca de 20cm).
Como já é normal, a fabricação do abrigo seria em dupla, visando à união e camaradagem, e valeria como uma prova para a média de Instrução Militar. O tempo médio foi de uma hora e meia. Mas, o maior problema nem era colocar os ponchos corretamente, mas fazer a canaleta. Com pá, faca, e essas ferramentes é facílimo, mas no meio do mato só dispondo de pedaços de madeira e um solo duro pra caramba tudo fica mais difícil.
Já os outros que foram para o tiro tiveram uma rápida instrução para relembrar aquilo que já fora ensinado para relembrar. Os tiros foram: ajoelhado com apoio, ajoelhado sem apoio, em pé, em pé noturno.
A sensação de empunhar um FAL 7.62 e apertar, vagarosamente, o gatilho é muito bom. O "coice" (recuo) da arma no ombro e o cheiro de pólvora no ar valeram os anos de estudo para muitos. Está certo que na hora de ver o alvo batia aquele cagaço, pois quem errava muito e tirava Insuficiente pagava muito sentado 1-2, rolamentos na lama e todas essas "brincadeiras" que nós - e principalmente os intrutores - adoram.
Agora, pense nisso em uma chuva forte, com trovoadas e relâmpados a toda hora. Toda hora não é hipérbole ou outra dessa coisas de português, mas a pura verdade!! Aquela água na cara e o fuzil gelados animavam ainda mais os militares, que viviam correndo bradando canções dos PQDt, FE e esses cursos que são marcas no Brasil e no mundo.
Continua...
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