Chegando ao 28º Bil, os pelotões deviam entrar em forma para, aos poucos, serem ambientados ao novo mundo. Mas, esse as poucos na vida militar não significam que será algo fácil e carinhoso. Ao contrário, é tudo feito na gritaria, correndo com a mochila e o famoso FAL.
A segunda companhia teve de retirar tudo da mochila de campo e colocar em uma lona (chamada de poncho) para mostrar se tudo estava nos devidos conformes e de acordo com as especificações passadas pelos comandantes de pelotões. Quando o tenente chegava, havia a necessidade de bradar o nome, número e o pelotão. Por exemplo: Aluno 10, Silva!! Covil!! e, prontamente, o cmdt (comandante) bradava o mesmo nome: -Covil!!
As dicas eram dadas a fim de ajudar todos os alunos para, no Exercício de Longa Duração (ELD), não haver problemas na feitura desses kits, pois eles valem nota no futuro, visto que são muito importantes para o combatente. Imagine ficar sem um remédio ou com o fuzil defeituoso no meio de uma guerra? A cobrança, portante, é necessária.
Logo após, os pelotões eram divididos em novos agrupamentos, para ocorrerem as instruções, sendo elas: tiro prático de FAL, montagem de abrigos. Aqueles que foram para a de abrigos viram imagens dos diversos tipos de abrigos, com o objetivo de mostrar aos instruendos qual seria a melhor para ser montada. Quase a totalidade das pessoas decidiram pela "duas águas" - dois ponchos unidos, um fio passando no meio e, um pouco, distante do solo (cerca de 20cm).
Como já é normal, a fabricação do abrigo seria em dupla, visando à união e camaradagem, e valeria como uma prova para a média de Instrução Militar. O tempo médio foi de uma hora e meia. Mas, o maior problema nem era colocar os ponchos corretamente, mas fazer a canaleta. Com pá, faca, e essas ferramentes é facílimo, mas no meio do mato só dispondo de pedaços de madeira e um solo duro pra caramba tudo fica mais difícil.
Já os outros que foram para o tiro tiveram uma rápida instrução para relembrar aquilo que já fora ensinado para relembrar. Os tiros foram: ajoelhado com apoio, ajoelhado sem apoio, em pé, em pé noturno.
A sensação de empunhar um FAL 7.62 e apertar, vagarosamente, o gatilho é muito bom. O "coice" (recuo) da arma no ombro e o cheiro de pólvora no ar valeram os anos de estudo para muitos. Está certo que na hora de ver o alvo batia aquele cagaço, pois quem errava muito e tirava Insuficiente pagava muito sentado 1-2, rolamentos na lama e todas essas "brincadeiras" que nós - e principalmente os intrutores - adoram.
Agora, pense nisso em uma chuva forte, com trovoadas e relâmpados a toda hora. Toda hora não é hipérbole ou outra dessa coisas de português, mas a pura verdade!! Aquela água na cara e o fuzil gelados animavam ainda mais os militares, que viviam correndo bradando canções dos PQDt, FE e esses cursos que são marcas no Brasil e no mundo.
Continua...
sexta-feira, 18 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
Começo do bivaque!!
De acordo com o Calendário Geral de 2008, dos dias 27 a 29 de abril aconteceria o tiro de FAL (Fuzil Automático Leve), mas, como o atual comandante da Prep é operacional (FE, Comandos...) decidiram fazer um bivaque para ambientar os alunos nesse mundo, que pra muitos é novo.
Bivaque: Acampamento temporário ao ar livre. / Lugar de acampamento.
Para começar, o bivaque não se inicia na hora de saída dos grupamentos, mas muito antes. Há a necessidade de se bizurar (bizu = dica, macete) tudo para facilitar nas horas difíceis. A mochila será pesada (cerca de 20kg) e vários materiais devem ser impermeabilizados com sacos plásticos grossos, pois se molharem podem estragar ou pesarem muito. A manta verde oliva é uma delas, já é pesada seca, molhada nem se fala...
Também, é necessário fazer Kits para tudo: Sobrevivência, Manutenção de Fuzil, Costura, Higiene, Primeiros Socorros, Manutenção de Coturno. Então, percebe-se o peso total dentro da mochila... Só no Kit de Primeiros Socorros, há desde álcool iodado até pinça. No higiene vai aparelho de barbear, papel higiênico...
Tá.. mas voltando ao assunto... Cada cia. teve uma preparação anterior para manusear o fuzil corretamente. A desmontagem em primeiro escalão foi ensinada há mais de um mês e ocorreu até prova para obrigar os alunos a estudarem. Tem de saber todos os nomes das peças e não são poucas. Para desmontagem e montagem há tempos estabelecidos, cerca de 1 minuto para cada tarefa.
Depois de aprendido a manutenir o equipamento, equipar as mochilas, bizurar a farda e tudo mais as companinhas (são três ao todo) foram divididas para, em determinados dias, seguirem para a área do 28º BIL (Batalhão de Infataria Leve). São cerca de 8 km de distância, sendo a ida de caminhão e a volta a pé, em marcha.
A ida deveria ser feita de manhã bem cedo e, por isso, a alvorada (hora que todos devem estar acordados e fora da cama) da 2ª Cia. foi às 4:30, da 1ª Cia. e 3ª Cia. às 5.
Para embarque nos caminhões, eram dados tempos para os pelotões (são 5 por Cia.) e, caso não conseguissem cumprir isso, pagavam de algum modo - na maioria das vezes era no famoso "Sentado 1 -2!! De pé 1-2!!", mas de mochila, FAL, Cinto NA, Cantil e a tralha toda.
Por caminhão, iam os pelotões de 35 alunos, em média, mais apertado impossível!! Com aquela lona cobrindo o veículo fica ainda mais quente e parece ser apertadíssimo!! Mas, com a união fica mais fácil.
Vale lembrar que, nos dois dias anteriores ao embarque já há uma ambientação da mochila. Havia instrução de tiro e os deslocamentos de cada instrução eram feitos equipados. A segundo cia. se ferrava mais, pois deviam ficar saltitando iguais a loucos nos deslocamentos e, não raro, uma voltinha na EsPCEx correndo.
Após cerca de 15 minutos, os pelotões chegavam ao local determinado, mas isso eu deixo pra depois...
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