sábado, 14 de janeiro de 2012

SIEsp - Patrulha de Longo Alcance com Características Especiais

Esse ano tive de deixar o blog um pouco de lado, mas foi em virtude de ter muitas coisas para fazer e, devido a isso, tive de colocar prioridades em minha vida.

A SIEsp foi uma das piores coisas que eu fiz esse ano. A SIEsp foi dividida em diversas patrulhas, muito parecido com o Avançado, mas a diferença é que haviam mais meios, como voadeiras, tiro real, utilização de simulacros (pedras similares aos carregadores) e a mochila, mais pesada do que o normal, ainda mais por ter de levar a ração o tempo todo e outros simulacros (minas, munição etc...).


SAS - Material muito parecido ao nosso.




Diferente do que ocorreu nas outras SIEsp, não iniciamos esta com mais uma marcha, mas com o deslocamento de viatura para o local da instrução, a famosa INB (Indústria Nuclear do Brasil), já conhecida pela minha turma na CANUC (Cão Nuclear) e da SIEsp de selva.

No dia 01, tivemos uma patrulha-escola, ou seja, uma patrulha cuja cobrança não seria tão grande, podendo haver retirada de dúvidas junto à equipe de instrução, algo que não seria possível mais tarde.

A patrulha foi bem tranquila, sendo a parte mais chata as ordens preliminares e a ordem à patrulha, parte mais "teórica" em que são repassadas todas as ordens a todos os elementos da patrulha e retiradas todas as dúvidas. Essa parte demora cerca de 5 horas, pois o comandante tem que planejar e os outros militares tem que fazer várias medidas, tais como confecção de quadros murais e outros meios para auxiliar as ordens.

Partimos, a pé, para uma região e treinamos cerca de 2 horas. Era para treinar mais, mas com a premissa de tempo, tivemos que sintetizar as partes principais.

Depois disso, fomos realizar uma marcha para chegarmos no objetivo e cumprirmos a missão, que era atacar o inimigo em determinado ponto.

Tudo tranquilo até voltarmos à base para a APA (Análise Pós Ação) onde são debatidos todos os erros e possibilidade de melhorias.

Os outros dias foram praticamente idênticos, exceto os dois últimos dias.

Na quarta-feira, recebemos uma missão e demoramos dois dias para realizá-la, pois teríamos um dia inteiro para treinar, em virtude de ser utilizada munição real na "eliminação" do inimigo, que nada mais era do que um painel de pano para alvejarmos.

Depois, voltamos a base (na quinta de noite) e nos deslocarem a uma outra cidade, a fim de realizarmos a tão esperada e temida evasão, que consistia em quase 40km de marcha durante um dia inteiro.

Os PELOPES foram divididos de modo a ficar de maneira mais proporcional nas armas, evitando concentrar muitos estagiários da mesma arma em um grupo o que pode atrapalhar ou ajudar, visto que algumas armas tem atividades mais parecidas a marchas.

Depois, dividiram todo o turno para falar qual trecho pegariam: Punhal ou Luva.

Os nomes vem do relevo. O Punhal é praticamente plano, mas possui um longo morro a ser subido, chamado de k2, em homenagem ao monte k2. Todos torcem para pegar o punhal, pois, depois de passado o K2, praticamente acaba, pois é só subida.

K2 verdadeiro, mas o da SIEsp é um pouco maior...

Já a luva é um pouco maior, além de, como em uma luva, ter uns 5 grandes morros, menores que o K2, mas por existirem muitos morros, acaba cansando muito, criando várias bolhas e abalando o emocional de qualquer um.

Eu dei a "sorte" de pegar a luva. Foi dor atrás de dor. Alguns companheiros começaram a passar mal na marcha e tiveram de ser carregados em certos pontos. Lógico que, com a mochila e todo o peso, fica difícil carregá-los. O que fazíamos era colocar um cabo-solteiro (corda de aproximadamente 3 metros) no cara e ir puxando pelo caminho, sendo outro empurrando.

Típico e odiado relevo de São José do Barreiro


Logo no começo, ai sair da base, é inacreditável o que tem de subir. É uma série de morros muito grandes, pensava que o terreno da Boa Esperança era ruim, mas esse é muito pior.

Depois de passada essa série de morros, acreditamos que as subidas acabariam, afinal, a luva tem somente 5 dedos, então, 5 morros... que engano. A cada curva era uma subida á frente. A água ia acabando e nada de chegar ao ponto de controle (e reabastecimento).

Quando, enfim, chegamos ao ponto de controle, conseguimos recompletar os cantis, tomar um reidratante e seguir a marcha.

O calor era insuportável e o suor era constante a todo momento. O sol tinha iniciado logo que começamos a andar, aproximadamente ás 6h, e já se passava das 15h e continuava ainda mais forte.

Passamos por locais bonitos, mas àquele momento nada era bonito. Era dor e mais dor.

Demos sorte de passar por um local onde havia agricultura e, um senhor local, nos ofereceu água e avisou que poderíamos pegar um pouco de cana-de-açúcar de sua propriedade. Achei engraçado alguns parceiros da equipe me perguntarem como tinha de fazer para comer a cana... Tá de brincadeira, né?

Depois de uma zuada de leve, todos aproveitaram para chupar a cana e, rapidamente, sentimos que o açúcar ali presente nos deu força.

Seguimos em frente e o tempo não passava. O cheiro já incomodava e as bolhas pareciam maiores.

Logicamente, não andávamos o tempo todo. Fizemos um sistema de descanso em que andávamos 50 minutos e descansávamos por 10. Desde o início ficamos nesse ritmo, mas já no final do dia os 50 minutos era muito demorados e os 10 nem descansavam direito.

Atravessamos a Represa do Funil de voadeira e seguimos a marcha. Já era cerca de 18 horas e o sol mais parecia de meio dia. Outro problema é que na orla da estrada não havia árvores e, em todo momento, andávamos sob o sol escaldante, algo que cansava ainda mais.

Já era quase 20 horas e, somente agora, o sol começava a ir embora. Foi rapidamente e veio a brisa, mesmo que muito quente, noturna. À noite, a lua nem apareceu e tivemos de sacar as lanternas, mas não ajudava muito e as pedras aumentavam ainda mais as bolhas.

Caminhamos muito, mesmo cansados, e a noite ia nos abraçando. O sono já era grande, visto que as patrulhas eram noturnas e nós conseguíamos dormir, no máximo, 2 horas por dia. Alguns começavam a zumbizar e, mais uma vez, ancoramos (amarramos com cabo solteiro) esse pessoal.

Já era mais de meia noite quando chegamos a um ponto de controle, encravado entre morros e próximo a uma casa e uma estrada vicinal de terra.

Foi ordenado para tomarmos a sopa e desmontarmos as mochilas, de modo a verificarem se não tínhamos alijado (jogado fora) algum material.

Mandaram sentar e esperar a ordem para iniciarmos a marcha novamente. Só sei que lembro de nada, pois apaguei no chão. Na verdade, como estava com um frio chato da madrugada, peguei meu poncho (uma "lona" camuflada) para eu evitar o vento.

Acordei com a gritaria comum das alvoradas (hora de acordar) dos campos. Todas as equipes da luva estavam no local, uma ao lado da outra, e a tal casa era, na verdade, uma olaria (fábrica de tijolos). Fiz a barba e aguardamos ordens.

Chegou um caminhão baú de mudanças e mandaram-nos entrar. Lógico que lá dentro estava um calor infernal e o chacoalhar do caminhão não era das melhores coisas, mas garanto que era muito melhor do que andar a pé.

Chegamos à estação de trens de uma pequena cidade e o instrutor chefe veio conversar, falando que foi a pior evasão que ele tinha visto, mas isso devido ao sol escaldante e ao clima, que chegou a 39 graus, permanecendo por muito tempo.

Entramos no trem de carga e o calor era maior ainda. Quando saí, parecia que havia tomado um banho, estava encharcado por inteiro.

Terminado o deslocamento de trem, saímos em frente a AMAN e seguimos para o interior, para o parque (sede) da SIEsp.

Fizemos a manutenção no material, almoçamos e partimos para os familiares que nos esperava no Pátio.

Enfim, menos uma SIEsp.

8 comentários:

asdasd disse...

Serei Oficial, quantos campos por ano a arma de Infantaria tem?

e Siesp?

Serei Oficial disse...

Depende do ano e do planejamento feito pelos oficiais, mas, em média, são 5 campos, contando com a SIEsp.

Anônimo disse...

Muito bom!

Felipe Mendes disse...

Serei oficial, muito obrigado seu blog me ajudou muito a entender essa carreira militar que vou seguir,
ainda tenho muitas duvidas mais com o tempo vou aprendendo, e se Deus quiser em 2015 estarei na ESPCEX e dps na AMAN.

Felipe Duarte disse...

olá , amigo gostei mt do seu blog.
Sou de cuiabá MT, recem fiz 18 anos.
Gostaria de saber do seguinte, eu fui apto para o serviço militar e terei que apresentar dia 02 de janeiro para a prova fisica para entrar.
Eu posso fazer a prova e entrarei do mesmo modo na EsPCEx desse ano? e o que eu coloco na Área de cadastro "reservista , militar ativo (o que eu seleciono)?

Amigo, espero que me ajude, obrigado.

Anônimo disse...

Sou Asp Of de Inf R2.Li todos os seus posts e eles estão sendo bem decisivos pra decidir se continuarei no meio militar.
Muito Obrigado!
INFA!

Rugal Silva disse...

Continue postandos suas experiências,
as pessoas tímidas em fazer comentários,
mas tenha certeza que seu blog é visualizado por milhares de pessoas que esperam ter as informação que vc ta passando.
Abraços e boa sorte na sua carreira.
sou estudante de direito mas meu sonho mesmo era ser oficial,
mas nunca fiz nem a prova da Espcex.
mas é a vida e suas loucuras.
Paz e Luz!

Isaias Dimitri disse...

Pô cara, uma pena você ter sumido. Andei lendo algumas postagens suas e vou dizer que o estágio na selva pareceu bem interessante. Pretendo entrar esse ano.